A batida jazzística, bouncy e texturas desse jovem produtor é um desafio para qualquer DJ
Los Angeles é o segundo álbum da recente discografia de Flying Lotus,
moniker do californiano Steven Ellison (foto), também conhecido como Flylo. Antes disso, o EP
Reset marcou seu ingresso no conceituado Warp, catálogo de gigantes como Aphex Twin, Autechre, Boards Of Canada, Prefuse 73 e Squarepusher. O selo fez com que o artista ganhasse chão e fosse escalado em 2008 para diversos festivais consolidados, como o Mutek no México e o Sónar na Espanha. Seu álbum debut, o
1983, saiu pelo Plug Research, mesmo selo de artistas como Daedelus, Mia Doi Todd e Life Force Trio.
Flylo despontou em parte assinando trilhas sonoras para a divertida série
Adult Swim da Cartoon Network. O espírito lúdico da sua música também rendeu uma diversão extra para seus fãs. Ao promover
Reset, o Warp colocou na internet o
Attack, um game online onde você pode pilotar uma nave que dispara samples contra alienígenas em pleno espaço sideral. O mesmo também ocorreu com o álbum Los Angeles e o jogo
Destroy. Os atrativos virtuais certamente não são por acaso: parte da inspiração do artista vem de timbres encontrados em cartuchos como Asteroids do Atari e Super Mario do Nintendo.
A maioria das pessoas poderia afirmar que o som de Flylo é feito para ser apreciado em casa, longe da pista de dança. Mas isso não é verdade. Embora seu trabalho autoral sugira um deleite auditivo no conforto do lar, suas gigs são muito animadas e cheias de energia. Além disso, sua performance nos decks é bem expressiva e visceral. No seu case cabem Martyn e Burial, por exemplo, como você pode conferir nos Youtubes abaixo.
Flying Lotus @ Mutek 2008, MéxicoFlying Lotus @ Sónar 2008, Espanhalive

Dizer que Flylo faz "hip hop experimental" é uma tremenda injustiça contra seu ímpeto criativo, completamente aberto para novas possibilidades sonoras. Madlib e J. Dilla são apenas algumas referências musicais que ajudam compreender o conjunto da sua obra.
Los Angeles traz texturas e timbres incomuns que corroem e enferrujam traços de jazz, soul, funk, música latina e brasileira. Nada sobrevive incólume ao toque de Flylo: seu som muitas vezes é revestido de uma poeira sinistra, uma areia estranha. São superfícies rugosas, craqueladas, pedaços em justaposição que se arranjam de forma orgânica, quase natural. Suas faixas, assim como a música de Burial, é um verdadeiro desafio de
beatmatching até para os DJs mais experientes.
GNG BNG!

Camadas percussivas se atropelam, revelando uma nova dimensão rítmica que afronta os limites do mundano e do ordinário.
Aqui a fixação de Flylo parece estar centrada em temas futuristas, cheios de naves espaciais e viagens interestelares. Um belo exemplo disso são os nomes das faixas e as paisagens que elas inspiram: "Comet Course", "Orbit 405" e "Sex Slave Ship". Mas como seu espírito é livre e inevitavelmente busca a ruptura, algumas faixas fogem do padrão. Em "Melt!" e "Auntie's Harp", África e latinidades em geral se encontram numa selva de samples percussivos. O funk é forte referência em "Gng Bng", com seu groove carregado e cheio de distorção. A dançante "Parisian Goldfish" coloca Flylo dentro do club, enquanto "Roberta Flack" e "Auntie's Lock" fazem boa companhia numa tarde preguiçosa.
Flash Content
Flying Lotus - Melt! (mp3)
O trunfo de Flylo é justamente sua identidade musical. Sobrinho de Alice Coltrane, o artista foi capaz de conjugar inúmeras influências musicais para criar algo realmente relevante. Ao vivo ou no estúdio, sua presença é marcante, calcada em traços muito particulares do groove e beats distintos. Um verdadeiro artista, no sentido mais amplo da palavra, que fez um dos álbuns mais interessantes de 2008.
Vale a pena conferir também o remix do Take também para essa musica. Quero ir pra L.A.
Flylo changed my life!
(pra mim é hip hop)
www.henriqueteixeira.blogspot.com
xx henrique teixeira