Animação demais, conceito de menos. Mas festa do D-Edge é fórmula a ser incentivada
Pista principal

Na última sexta-feira aconteceu, enfim, a festa que talvez tenha sido a mais esperada neste fim de ano pelos clubbers paulistanos: a segunda edição da D-Edge Concept, evento especial organizado pelo D-Edge, uma das pistas mais conhecidas de São Paulo.
Assim como a festa da concorrente, a Vegas V3, foi um desafio de logística e uma balbúrdia em termos de animação, já que a estrutura de um clube relativamente pequeno foi transferido para a grandiosidade da TW Eventos (aka The Week, duas pistas, área externa com piscina), em que quase três mil pessoas foram ao espaço na Lapa para assistir atrações como Miss Kittin & The Hacker e o back2back live de Gui Boratto e DaDa Attack.
NO-SHOW FOREVERO azar foram dois no-shows:
Maurice Fulton, primeiramente anunciado e que cancelou por problemas pessoais; e
Claro Intelecto, talvez a atração mais "concept" da festa, que acabou se enrolando no embarque para o Brasil, perdeu o vôo e não apareceu. Quem o substituiu foi o DJ chileno
Alejandro Vivanco, minimalista que já lançou por selos como Cadenza e fez um set normal de techno. A assessoria do D-Edge afirma que o live de Mark Stewart (C. Intelecto) acontecerá no clube no começo de 2009.
Em 2004 a festa "conceitual" fez jus à proposta que está estampada em seu nome: Richie Hawtin e Magda no estacionamento do clube, àquela época, foi um abuso experimental em termos de organização e som. Nessa segunda edição, conceitual não foi o adjetivo mais cabível ao evento: grosso modo, a única coisa "concept" da festa foi a decoração da pista principal (leds verdes e rosa no meio da pistona, que lembravam o
Phoreski

palco da Madonna). Musicalmente, foram tocadas sonoridades já ouvidas na cidade há tempos.
Deixando a pretensão de ser conceitual de lado, valeu pela animação geral e por boas apresentações isoladas: o back2back de Ratier e Pareto, funk-disco-housy infinitamente melhor que a saraivada de hits do DJ set de Gilbert Cohen (Château Flight). Miss Kittin e The Hacker, que animaram bem pista após o classudo show do Stop Play Moon, esses confirmando a expectativa de promessa para 2009 (corre à boca pequena que eles devem assinar com a DFA em breve).
The Hacker toca, cheio de pose, um electro fácil e empolgante, apesar de instável. Miss Kittin, num exagerado vestido de paetê branco, destilou com carisma hits como "Frank Sinatra', uma excelente versão de "I Feel Love" (Donna Summer - ponto alto do show), e encerrou numa versão morna de "1982". Seu vocal é abafado e vale quando se esforça em gritar, como uma esquizofrênica do electro - tanto é que no meio da pista mal se ouvia as poucas coisas que ela tentava conversar com o público.
Sem Claro Intelecto, perda irreparável, o live de Gui Boratto e Dada Attack foi promovido a headliner, e foi bonito de ver a animação da dupla brasileira na hora de entrar em campo - muito mais do que no Skol Beats micado, essa foi a principal prova de fogo para a dupla, que alternou momentos de techno com o neo-trance melódico e crescente, o loop característico de Gui Boratto. Com a luz rosa dos leds piscando, tarde da manhã já, foi um bom momento de pista da festa.
Gui Boratto e DaDa Attack

No mais, a D-Edge Concept foi um festão, literalmente. Matou a vontade de grandes eventos urbanos numa época sem Circuitos, em que raves são micaretas eletrônicas universitárias.
Todos os elementos estavam ali, potencializados: muita gente, figuras carimbadas da noite, aquela jaca na área externa que, ao contrário da escuridão ensurdecedora dos clubes, permite cenas bizarras e interação em larga escala. Ponto negativo para a The Week, que segundo apuramos com o clube, insistiu na instalação do sistema de comandas, definitivamente um mal a ser eliminado da noite brasileira - quem tentou ir embora lá pelas 08 da manhã, viu o inferno e a confusão que eram as filas de gente maluca tentando se entender e pagar, parecia uma estação de trem rumo ao inferno, de tão caótica.
Outro
thumbs down para a casa foi de não poder estender seu horário até depois das nove da manhã: não houve a jam session de DJs residentes prometida, e muita gente pilhada pela animação da festa teria durado fácil até duas, três, seis da tarde (a casa precisa fechar cedo para limpeza e manutenção de sua tradicional noite gay dos sábados). O after no D-Edge em si seguiu até quase cinco da tarde, tocaram Phoreski, Pareto, Ratier, entre outros.
CONCEITO: UMA IDÉIA ARRISCADA
Houve os problemas costumeiros de uma grande festa, quase inevitáveis: teve quem odiou o banheiro, teve gente com celular roubado, e claro, muita reclamação da salada musical que foi o line-up, que passou de Zegon a Miss Kittin, de neo-disco a Mau Mau. Fora que na D-Edge Concept, ao contrário da festa da concorrente, não havia placas ou luminosos indicando horário e nome das atrações. Dentro da arriscada idéia de "conceito", a V3 teve um line-up mais amarrado dentro da disco music e do 4x4.
Talvez mais organizada ao longo do ano, menos perrengues de line-up ocorreriam. Mas como já dito, o evento merece louvores por trazer à cidade o formato de festão tão esperado por todo mundo, num tipo de evento em que a logística é complicada, ainda mais com o dólar em escalada, o que dificulta contratações e transações com atrações gringas Que venham então a festa Vegas V4, novas edições open air da Circuito (não custa sonhar), D-Edge Concept em 2009... Porque público, produtores, atrações e boa vontade dos organizadores há. É só fazer acontecer.